SANTOS POPULARES | 2014


SANTOS POPULARES 


Junho 2014 


SONETOS DO UNIVERSO 


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PLANETA JOVEM


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SANTOS POPULARES


SANTO ANTÓNIO…


No alto do teu andor
Ou em qualquer capela
Fazes saltar o amor
Numa simples piscadela

És atrevido mas santo
Tens Lisboa por morada
Dás ao povo teu encanto
Em Junho festa animada

Santo António eu te vejo
Numa rua ou numa esquina
Provocas um doce beijo
Na mais pura menina

E mais tarde na capela
Fazendo juras de amor
Tornas a pura donzela
Feliz no seu esplendor

E o povo sai a rua
Para aí te festejar
Até o sol e a lua
Querem na festa entrar

És um santo popular
Que dá cor ao arraial
Nos bairros toca a marchar
Numa cor sem ter igual.

ARIEH NATSAC 

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Imagem - Google


SÃO JOÃO


Vinte e quatro era o dia
História que já foi vista
Filho de Izabel e Zacarias
Nascia São João batista

Para avisar José e Maria
Que o precursor nascera
Tomados por alegria
Acenderam a fogueira

João “Deus é propício”
Que majestosa referência
Apelidado de Batista
Por pregar a penitência.

Batizava com fé e luz
No caudaloso Rio Jordão
Batizou também Jesus
Veja que honra, irmão!

Então, seguimos o ato
Com dança e satisfação
Em Junho, dia vinte e quatro
Na festa de São João

A fogueira não pode faltar
Alegria em profusão
Para homenagear
O Santo da tradição

Fogueira artificial
Em honra à ecologia
Para o mundo não passar mal
Com fumaça no pulmão
Numa festança de alegria
Aniversário de São João
Ô trem bão!!!!!!!!!!

Elair Cabral

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Imagem de Frassino Machado


SANTOS POPULARES  


Estamos no mês de arromba
Cheira a Santos Populares
Quer ao sol ou quer à sombra.
É só danças e cantares.


Santo António é franciscano
E até gosta de manjares
É uma festa por todo o ano
Principalmente em Amares…

Com sardinhas ou manjericos
É só mesmo o escolher
Tanto pobres como ricos
Ninguém os pode perder.

Mas depois de Sto. António
Há sempre que dar a mão
Respeitemos o património
Das festas de São João.

Quem diz S. João, diz S. Pedro,
Ninguém o pode olvidar,
Desta forma não há medo
Nem há nada que enganar.

Com qualquer que seja o Santo
Que venha um diabo e escolha
Em cada esquina, em cada canto,
Que ninguém aqui s´encolha!

Frassino Machado

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O SANTO MALANDRECO 


Que tu sejas benfeitor

Já se sabe do livreco
Mas não joga a teu favor
Saber-se que és malandreco.

Quanto a seres casamenteiro,
Ainda vá lá que não vá,
Mas jogadas no mundo inteiro
Tu bem sabes que isso dá.

Casamentos até há poucos,
P´ lo menos no nosso meio,
E milagres, só de loucos,
Deles está o inferno cheio.

Manjericos não dão dinheiro,
Nas pracetas são loucura,
E as sardinhas a terreiro
Estão p´ las ruas da amargura.

O negócio das cascatas
Isso é lá com São João
Só se for em bairro de latas
E co´ a massa sempre à mão.

Quando eras adolescente
Partiste com o sol a pino
Marrocos, p´ ra enganar a gente,
Pois a Itália era o destino.

Escolheste agora o Brasil
Por ser negócio de bola
Matreirices, mais de mil,
Encheste logo a sacola.

Esqueceste-te da Avenida
Com as marchas a rodar,
Era o trunfo da tua vida,
Mas a bola é qu´ stá a dar.

Os teus sócios cá ficaram,
Cada qual feito agiota,
Quando as marchas acabaram
Falou-se logo em batota.

Nessa hora, no Paulistão,
O Brasil sem benzedura,
Tu lá deste um empurrão
E assopraste ao Nishimura.

Se não foi à descarada
Provocou-se um prejuízo
Ganhaste bem a jogada
Sem dar a volta ao juízo.

Não arrisques muito mais,
Papa Francisco ´stá a ver,
Já consta pelos jornais
Que tem o juízo a ferver.

Ó Santo das ubiquidades
Deixa-te de malandrices
Volta pr´ as tuas cidades
E não percas doutorices.

Espera mais um momento.
Muda-te já p´ ra Salvador
Dá algum brilho ao evento
E, tu lá sabes, algum favor.

É que o prélio é a morder
E os Tugas são larpeirões:
Nunca gostam de perder
Mesmo que seja a feijões!

Frassino Machado


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SÃO JOÃO ANDA POR CÁ 

(Réplica a Abel Cunha)

Ó MEU RICO SÃO JOÃO!


“São João já está no Porto
A dar ânimo à gente;
Para um Povo quase morto
É milagre andar contente.

Nas festas de São João
Dá largueza à fantasia;
O que traz o garrafão
Não é vinho, é alegria.”

Abel Cunha

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São João, fez um milagre,
Pois não gosta de ver caos
Antes que desse em vinagre
Voou para cá, de Manaus.

Com o ambiente a ficar torto,
Enfiou a cabeça no gorro
Pra brincar será no Porto
Nem que seja ao alho-porro.

Deixou lá o Santo António
Entretido com o Bento
E um tal de Fulecozinho…

- Não estou mal do neurónio,
Palavras leva-as o vento,
Prefiro sardinhas e vinho!

- Assim mesmo é que é,
Anda cá rico Santinho
Toma lá uma água-pé!

Frassino Machado

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 SÃO JOÃO TRIPEIRO/ SÃO JOÃO BRAGUÊS, 

AO TELEMÓVEL  


 - Está lá? Quem é que fala?
- É o teu amigo Braguês
 Que gosta de fazer gala
 Por seres um bom freguês!

 - Cá estou na Festa de novo
 Como um honrado Tripeiro
 Neste certame do povo
 Gosto de ser o primeiro.

- Que é que andaste a fazer
 Lá pra às bandas da Baía?
 - Pelos nossos fui torcer
 Mas terminou em razia…

- Só porque foi um mau jogo
 Viste o caso mal parado,
 Deste às de vila-diogo
 E tiraste de lá o costado…

- Ah, estava lá o António,
 Ele e um tal de Foleca
 Que é possesso do demónio
 E muito levado da breca…

-Já jogaram na Amazónia
 Telefonou-me o tio Bento
 Mas, na minha cachimónia,
 Não percebi o lamento?

- Oh, que é que havia de ser,
 Isto até dá para rir,
 Estiveram quase a vencer
 E deixaram o pássaro fugir!

- O Tónio deve estar danado,
 Eu nem lhe quero falar,
 Pois, zangado por zangado,
 Só quando ele chegar…

- Como vai em Braga a festa?
- Como manda a tradição,
 Sem manjerico não presta
 Mesmo que haja procissão…

- Aqui, como se presume,
 Há sardinha e água-pé
 E o vinho do costume
 Que agrada sempre ao Zé.

- Na urbe, pela noite fora,
 Só se ouve a algazarra,
 Tambores a toda a hora
 E em cada esquina uma farra.

- Por cá, anda tudo na avenida,
 Alho-porro e martelinhos
 Criticando a boa vida
 Cá duns certos tripeirinhos.

- Olha cá, ó João Tripeiro,
 Que trouxeste da Baía?
- Só se me disseres primeiro
 O que tens de mordomia?

- Olha, como não sou nada rico
 E tenho mesmo aqui à mão,
 Dou-te um fresco manjerico
 Pra colares no teu gibão.

- Do Brasil não trouxe nada,
 Aquilo é gente maluca,
 Anda tudo em desgarrada
 Aos pontapés à brazuca.

- Nem ao menos um chopinho
 De refresco guaraná?
 Vais levar co martelinho
 Daqueles que tenho cá…

- Ok, não digas a ninguém,
 Uma brazuca querida
 Pra jogares com alguém
 Num passeio da avenida.

- Deita pra cá se puderes
 Essa de tal redondinha
 E um apito se tiveres
 Para acertar a vidinha.

- Bora lá, ó João Braguês,
 Não te faças mexeruca
 E como bom português
 Vamos chutar na brazuca.

- Bora lá, ó Tripeirão,
 Como tu eu nunca vi
 Seja co pé ou co´ a mão
 Não tenho inveja de ti!

- Inté, ó bochecha Bragueirão…
- Inté, ó esticado Tripeirão!

Frassino Machado

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SÃO PEDRO AZARADO 

(Réplica a Abel Cunha)


Abel Cunha:

Diz S. Pedro, na hora incerta
Uma coisa só preciso:
Ter a vossa porta aberta
Para entrar no Paraíso.

Frassino Machado:

“Não sei o que aconteceu
Deram-me as chaves erradas,
Isto foi de gente esperta,
Agora pra entrar no céu
Ando aqui às cabeçadas”,
Diz São Pedro, na hora incerta.

Fui dar uma volta maluca
Pra ver jogar a selecção
E, sem prever o prejuízo,
Dei uns chutos na brazuca
Caíram-me as chaves da mão
Que é aquilo que eu preciso.

Onde vou agora pernoitar
Digam-me lá, por favor,
Ó gente amiga desperta?
Com estas chaves sem dar
É caso de força maior
Ter a vossa porta aberta.

Quem me fez esta patranha
Vai-mas levar pela certa
Nem que eu perca o juízo
Redobrarei minha sanha
E não verá descoberta
A entrada do Paraíso.

Coitado do Pedro Simão
Anda mesmo azarado
E perdido do miolo
No fundo, até tem razão
De andar preocupado
Com medo de ficar tolo…

Isto, só cá para nós,
Anda tudo numa crise
E de cabeça perdida:
O destino é bem atroz
E não permite um deslize
Na pasmaceira da vida!

Frassino Machado


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QUADRAS A SÃO PEDRO


São Pedro da vida airada
Que tens rica profissão
Não valerás mesmo nada
Se não cumprires a função.

Se alguém te enganou
Vá-se lá saber porquê
A dormitar te encontrou
Ou então a ver tevê.

Se te deram chave torta
Tu é que és o culpado
Aguenta-te agora à porta
E não fiques descuidado.

Tu bem sabes como é,
Há sempre uma bela treta,
Quer o rico quer o Zé
Abonam logo a gorjeta.

Toma nota das gaiatas
Andam sempre no laréu
Vêm do bairro das latas
E querem entrar no céu.

Atenta nos de São Bento
Que andam por aí à solta
Se fizerem pé de vento
Manda-os dar uma volta.

E se vier algum banqueiro
Exige outras condições
Tu, como real porteiro,
Puxa lá dos teus galões.

Se alguém mais te replicar
Por causa da Selecção
Deixa a porta escancarar
Para que haja bailação!

Frassino Machado

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SANTOS POPULARES


Nos Santos Populares
Há sempre festa até ser dia
Desde o Algarve até ao Minho
Todos vão à Romaria,
Os santos fazem milagres
Não há ninguém que não queira
Fazem casamentos os compadres
Tudo feito à sua maneira,.
Vão as moçoilas para bailar
E os compadres nos copinhos
Quando a casa pensam regressar
Já começam a rulhar,
Os moçoilos já querem casar,
Os compadres já falam que
Querem ter muitos netinhos
O milagre aconteceu,
Santo António assim o dita
Já S. João é grande festeiro e folião
Mas leva as moças à fonte a beber
Santo António fez o milagre então!,
Terá que pelos casamentos responder
Mas quem tem a chave é S,Pedro
E esse não está para brincar,
Ou todas se portam como deve ser
Ou ele acaba por a porta fechar,

Joana Rodrigues


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VIVAM OS SANTOS POPULARES


Santo António terminou
 S. João está a chegar
 O santo casamenteiro
 Tanta noiva quis casar

S. João mais atrevido
 Levou na noite de luar,
 As raparigas a bailar,
 Todas tinham que madrugar
 Para o primeiro banho tomar,

S. João era maroto
 Nada caía em saco roto
 Passava a noite a martelar
 S. João se divertia
 E pela manha, banho de cidreira
 E a água fresca também bebia.

Deixou Santo António a rezar
 E como já estava cansado
 Foi procurar por S. Pedro
 Este ainda não tinha chegado
 Mas não queria brincadeira
 E para ficar tudo arrumado
 Deu o seu nome para um feira
 Fechou a porta a cadeado
 Acabou-se a brincadeira
 Deixou o mês de Junho arrumado

Joana Rodrigues

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MEU AMOR, MEU SÃO JOÃO
 

 São João tu muito me dizes
 Esta data tudo me recordas
 Foram meus momentos felizes,
 Sempre que nesta data me abordas.

 Foi numa alegre festa de são João
 Que meu noivo foi apresentado,
 Não tinha pai. foi ao mais velho irmão
 Que apresentei meu apaixonado.

 São recordações que ficaram
 Nesse São João há tantos anos,
 De dois amores que tanto se amaram
 Houve perdas mas não enganos.

 Mas foi num dia belo e feliz
 Que senti essa magia,
 São João quando terminou
 Deixou meu coração
 A saltar de tanta alegria.

 Foi para mim o mais lindo são João
 Foram dias de folia,
 Era o amor do meu coração
 Que me deu anos de alegria.

 Joana Rodrigues

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Imagem - Santo António com o Menino Jesus em pintura de Stephan Kessler


SANTO ANTÓNIO DE LISBOA


E vamos todos prá rua
Pró baile de Santo António
Para lhe pedir um marido
Mas que não seja um demónio.

Vamos todas a marchar
Em Lisboa na Avenida
Com o arco e o balão
E linda roupa garrida.

Santo António Padroeiro
Das raparigas solteiras
Trás a todas um namorico
Para saltar nas fogueiras.

Santo António Padroeiro
De amores desencontrados
Trás namoro às solteirinhas
Com o bolsos bem recheados.

 Margarida Fidalgo

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Ambrogio Lorenzetti - St. John the Baptist - Google Art Project


SÃO JOÃO


Santo António foi dormir
O São João a chegar
Com manjericos na mão
E sardinhas para assar.

Também dá um martelinho 
E alhos porros perfumados
Para ver muito felizes
Os casais de namorados.

Ai meu querido São João
No Porto és residente
Tens na mão um manjerico
Para dares a toda a gente.

São João pra ver as moças
Fez uma escada de ouro
Para as ver lavar a roupa
Nas margens do Rio Douro.

Foi comprar um Manjerico
Na rua das fontainhas
Para dar às raparigas
Que ainda estão solteirinhas.

Levou-as ao bailarico
E deu-lhe uma ginginha
Prometeu-lhe noivo rico
Pra toda a sua vidinha.

São João quero ir contigo
Passear pela noitinha
Sentir a brisa da noite
Nas asas de uma andorinha.

Quero sentir o cheirinho
Da bela sardinha assada
Na rua das fontainhas
Até alta madrugada.

Ver os balões dançarinos
Presos por fios no ar
Os pregões vindos dos becos
E bandas sempre a tocar.

São João com tua capa
Perfumada de jasmim
Ativa a tua memória
E não te esqueças de mim

Margarida Fidalgo


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Imagem - Rabelo do Porto - Paulo Vale


SÃO JOÃO DO PORTO


São João acordou cedo
Para acender a fogueira
E tomar um banho fresco
Com folhas de erva cidreira.

Vestiu-se muito a rigor
Com uma capa de pelo
Para dar uma voltinha
Num lindo Barco Rabelo.

Cobriu um chapéu de aba
E na mão uma caneca
Para não apanhar sol
Na sua linda Careca.

A festa de São João
Está mesmo a começar
Os balões já estão acesos
E a sardinha está a assar.

O fogo está no rio
Prontinho a rebentar
A banda está no coreto
Pra começar a tocar.

São João saiu do barco
Com um manjerico na mão
Para me oferecer a mim
Com muita admiração.

Vamos dançar toda a noite
Esquecer a solidão
Arranjar um novo amor
Na noite de São João.

Enquanto rodopiava
Com um copo de sangria
Sorria para toda a gente
Com muita, muita alegria.

A noite está serena
O céu está estrelado
E eu regresso a casa
Com um lindo namorado.
 
Margarida Fidalgo


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Imagem de Rádio Renascença


SANTO ANTÓNIO

LISBOA MADRINHA


Ao cheiro do manjerico
Lá vão gentes ao bailarico;
Que noite em arraial
Por todo o Portugal!

À esperança do Santo António
Lá vão as moças de Lisboa
De vento em proa;
Que felicidade seja sinónimo!

Ao cheiro da sardinha
Lá vão gentes pela petinga...
É ver a rapaziada na folia e boa pinga;
Que seja alvorada, Lisboa madrinha!

 © Ró Mar

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Sonetos Do Universo | 2014